O anúncio do Governo do Estado de São Paulo sobre a instalação de novas praças de pedágio na região de Sorocaba acendeu um alerta entre moradores de Piedade e cidades vizinhas. Mais do que uma decisão administrativa, trata-se de uma medida que impacta diretamente o cotidiano de centenas — talvez milhares — de trabalhadores que dependem das rodovias para estudar, trabalhar e garantir o sustento de suas famílias.
A principal preocupação é clara: como ficará a vida de quem utiliza a rodovia diversas vezes ao dia? Moradores que vivem em bairros cortados por essas vias poderão ser obrigados a pagar pedágio toda vez que precisarem se deslocar dentro da própria região? São perguntas que ainda carecem de respostas objetivas.
Também pairam dúvidas sobre os critérios técnicos adotados para definir os pontos de instalação das praças. Houve, de fato, um estudo aprofundado sobre os impactos sociais e econômicos para as cidades envolvidas? A mobilidade regional foi devidamente considerada? Quando se fala em pedágio, não se trata apenas de arrecadação, mas de planejamento estratégico que precisa equilibrar investimento, segurança e justiça social.
Outro ponto sensível é a condição das rodovias. Em trechos como a SP-79, no sentido Sorocaba e Votorantim, motoristas relatam aumento de velocidade após a revitalização do asfalto. Embora melhorias na pavimentação sejam positivas, a duplicação — considerada essencial para a redução de acidentes — ainda não é uma realidade em vários pontos. A pergunta que fica é: o cidadão pagará pedágio por uma rodovia ainda de pista simples? E quando, de fato, chegarão as prometidas ampliações estruturais?
O impacto econômico também preocupa. O custo do transporte inevitavelmente influencia o preço final das mercadorias. Pequenos produtores, comerciantes e consumidores podem sentir no bolso mais essa despesa. Em um cenário já marcado por desafios econômicos, qualquer nova taxa repercute diretamente na cadeia produtiva local.
Diante desse cenário, é legítimo que a população cobre posicionamento claro de seus representantes. Prefeitos, vereadores e deputados da região precisam se manifestar e dialogar com o Governo do Estado. O debate público é fundamental para garantir transparência e buscar alternativas que minimizem prejuízos à população.
O desenvolvimento regional é necessário. Investimentos em infraestrutura são importantes. Mas eles não podem avançar sem ouvir quem vive e depende diariamente dessas estradas. Mais do que instalar praças de pedágio, é preciso assegurar justiça, equilíbrio e respeito ao cidadão.
À população, resta acompanhar atentamente os desdobramentos e exigir clareza. Porque, no fim das contas, é o cidadão quem paga — e merece, no mínimo, respostas.
FONTE/CRÉDITOS: Da redação
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