Piedade, uma das principais regiões produtoras de morango no Estado de São Paulo, registrou um movimento inédito no preço da fruta nos últimos meses. Durante a chamada febre do “morango do amor” — receita que viralizou nas redes sociais, elevando a demanda pelo produto — o quilo do morango chegou a ser comercializado a R$ 42,77. Contudo, a cotação desabou na última segunda-feira (25/08), quando foi registrada a média de R$ 14,20/kg, uma retração de 67,1% em relação ao mês anterior.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a redução foi de 4,6%, já que em agosto de 2024 o quilo estava em R$ 14,89. A queda abrupta evidencia a forte influência do consumo e das tendências sociais sobre o mercado agrícola local.
Origem e características
O morango (Fragaria x ananassa Duchesne) surgiu na França em meados de 1750, fruto do cruzamento entre espécies nativas do Chile e da América do Norte. No Brasil, o cultivo começou nos anos 1950, no sul de Minas Gerais, expandindo-se comercialmente a partir da década de 1980.
De aparência atrativa, sabor agridoce e textura suculenta, o morango é classificado como um pseudofruto, já que a polpa vermelha resulta do receptáculo floral. As verdadeiras sementes estão nos pequenos pontos pretos da superfície, conhecidos como aquênios.
Usos, benefícios e cadeia produtiva
Rico em vitamina C e antioxidantes, o morango auxilia no controle da pressão sanguínea, sendo consumido principalmente in natura, mas também em sucos, geleias, iogurtes, bolos, balas e sorvetes.
No Brasil, seu cultivo é caracterizado por pequenas propriedades rurais, fator que garante emprego e renda para muitas famílias. Em 2024, apenas no Entreposto Terminal de São Paulo, foram comercializadas 4.191 toneladas do fruto, vindas majoritariamente de Minas Gerais (75,4%), seguidas de São Paulo (20%) e Rio Grande do Sul (2,9%).
Oferta e desafios locais
Em Piedade, a produção acompanha a sazonalidade nacional, com maior oferta entre julho e setembro. Ainda que novas técnicas de cultivo tenham permitido disponibilidade ao longo de todo o ano, a oscilação de preços mostra o impacto direto da demanda e das tendências de consumo sobre os agricultores.
O “morango do amor” gerou valorização temporária e lucros expressivos, mas a atual retração preocupa produtores locais, que agora enfrentam o desafio de manter a rentabilidade em meio à instabilidade do mercado.
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