O avanço da medicina trouxe recursos importantes para o tratamento da obesidade, uma doença crônica, multifatorial e de alta complexidade. Entre esses recursos estão os medicamentos injetáveis popularmente conhecidos como canetas "emagrecedoras", nome indevido, já que foram criadas, para melhor regulação do diabetes tipo II.
No entanto, o que deveria ser um instrumento terapêutico sério vem sendo utilizado, de forma cada vez mais preocupante, e pior indiscriminadamente como solução mais rápida e muitas vezes sem qualquer acompanhamento médico.
Nós profissionais da saúde, temos o dever de esclarecer alguns pontos, que no meu modo de ver, estão sendo negligenciados.
Não existem milagres para emagrecer, ainda mais quando se ignora a ciência, o diagnóstico e o acompanhamento médico.
As canetas "emagrecedoras" pertencem, em sua maioria, à classe dos estimuladores GLP-1 e GIP, polipeptideos liberados no intestino e que atuam no metabolismo da insulina e retardando o esvaziamento gástrico, " enganando" o cérebro e diminuindo o apetite . São medicamentos desenvolvidos para situações bem definidas, com critérios claros de indicação, contra indicações e necessidade de monitoramento contínuo.
O problema começa quando esses medicamentos passam a ser usados sem prescrição, sem exames prévios e sem avaliação do histórico clínico do paciente, e o pior sem procedência.
O que parece simples pode desencadear efeitos adversos relevantes, alguns deles potencialmente graves; dentre as complicações mais frequentes estão náuseas intensas, vômitos persistentes, constipação severa e quadros de desidratação. Em situações mais delicadas, há relatos de hipoglicemia , com riscos de quedas e desmaios, e doenças que podem ser fatais como pancreatite aguda, distúrbios metabólicos e pedras na vesícula biliar.
Os riscos são maiores em pacientes com doenças pré-existentes, tem que se avaliar com bastante parcimônia o risco- benefício.
Outro ponto que merece atenção é o impacto psicológico, no qual o uso dessas medicações como “atalho” reforça uma relação inadequada com o corpo,com a alimentação, podendo agravar transtornos alimentares, ansiedade e frustração quando o medicamento é interrompido, e o ganho de peso acontece.
Autoridades sanitárias no Brasil e no exterior são claras: esses medicamentos não devem ser utilizados sem prescrição médica e não são indicados para fins meramente estéticos .
É preciso lembrar que o tratamento da obesidade vai muito além da balança. Ele exige avaliação clínica completa, exames laboratoriais, acompanhamento nutricional, orientação para atividade física e, quando necessário, uso criterioso de medicamentos, sempre dentro de um plano terapêutico individualizado.
A medicina moderna oferece ferramentas eficazes, mas nenhuma delas substitui o cuidado responsável, não existem milagres, para perder se peso.
Emagrecer com responsabilidade, é a melhor forma, as canetas "emagrecedoras" pode ser um aliado importante, mas com responsabilidade.
Dr. Eduardo Brigidio
Especialista em angiologia e cirurgia vascular.
Comentários: