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Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

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Quais são os impactos da inflação para o agronegócio?

Após os bons resultados de 2021, apesar dos problemas com o clima, o agronegócio deve continuar a ser o impulsionador do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2022

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O ano já começou animador para a agroindústria brasileira: depois do ótimo mês de janeiro, foi batido um novo recorde em fevereiro. As exportações do mês alcançaram US$ 10,51 bilhões, e o valor foi 65,8% superior ao de fevereiro de 2021. Além do aumento da quantidade de exportações (+33,7%), os bons números são resultados do aumento de preços da maioria dos produtos exportados (+24%).

Assim, as expectativas são boas para o setor em 2022. Um relatório da Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que o agronegócio deve crescer 5% neste ano. A melhora nas estimativas tem relação com a melhora do clima, com as chuvas estabilizando-o, reservatórios começando a operar com maiores capacidades e aumento dos preços internacionais de diversas commodities.
O agro e a economia brasileira

O PIB brasileiro deve crescer 1% ou pouco menos neste ano, segundo as principais estimativas. A indústria e a construção civil podem até recuar em 2022. O fato de o agronegócio representar até 25% do PIB brasileiro faz que esse setor esteja sob os holofotes do governo e da sociedade. O agronegócio é responsável por até 10% dos empregos brasileiros, então um avanço do setor pode significar boas notícias ao País.

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Impacto da inflação no agronegócio

Apesar de todos esses dados positivos, uma preocupação “ronda” os produtores brasileiros: a inflação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do País, fechou 2021 em 10,06%, o número foi o maior valor desde 2015 e superou o teto da meta que era de 5,25%.

Os bons resultados de exportação e os preços altos de alimentos nas gôndolas dos mercados podem dar a sensação de que os produtores estão tendo lucros recordes, mas isso não é verdade.

Segundo o relatório O Agronegócio e a Inflação, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, os lucros do setor não são bem divididos ao longo da cadeia produtiva.

O relatório aponta que alguns gargalos, como indústrias agrícolas, concentram boa parte da lucratividade, que muitas vezes não chega aos produtores primários. O setor também está bastante sujeito a elevação dos preços em dólar, uma vez que os principais insumos agrícolas, como fertilizantes, são importados e há a influência do preço do petróleo em toda a cadeia produtiva.

Preços e lucratividade

O aumento de preços nem sempre significa lucratividade para o setor. O agronegócio está sujeito a diversos fatores que podem levar a variações não antecipadas, como pragas, intempéries climáticas e influências externas nos preços.

Um exemplo recente é o da retirada das exportações de milho da Ucrânia devido à invasão russa. Sem a oferta do milho do país, que é um dos principais exportadores mundiais da commodity, a demanda e o preço devem subir.

Dessa forma, o preço alto do milho influencia diretamente o preço das proteínas animais, já que o grão é um dos principais ingredientes das rações de rebanhos. Soma-se a isso o fato de a carne já vir sofrendo aumentos nos últimos anos, o que tem feito que menos seja comprado e leve os produtores a não repassar todos os aumentos ao consumidor.

Com a continuidade dos conflitos no leste europeu, o preço do petróleo deve continuar elevado. O preço do barril, que ultrapassou a marca de US$ 100 no início da invasão, está com valores estabilizados na casa dos US$ 110 no fim da primeira quinzena de março. Com a dependência do diesel do agronegócio brasileiro, o preço final dos alimentos para os consumidores não deve ter baixa significativa tão rapidamente.

Outro fator de influência para a elevação dos preços é a dependência dos fertilizantes russos. O Brasil busca outras soluções de importações, mas sem a oferta do leste europeu a tendência é que os preços dos insumos continuem elevados.

Fonte: Cepea, Mercado e Consumo, Investing, Doutor Agro.

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