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Quarta-feira, 15 de Julho de 2026

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João Alípio e o legado das Cebolas Alípio

À frente de uma das empresas mais tradicionais da cidade, João Alípio relembra os desafios e superações que marcam a trajetória da família na produção e comercialização de cebolas, em homenagem aos 185 anos de Piedade.

João Alípio e o legado das Cebolas Alípio
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Entrevista por Rodrigo Ruivo

Em meio às comemorações dos 185 anos de Piedade, uma figura se destaca por sua trajetória de perseverança e empreendedorismo: João Alípio, responsável por manter viva a tradição das Cebolas Alípio, uma das empresas mais emblemáticas da região. Em entrevista exclusiva, ele relembra as origens humildes da família, os desafios enfrentados e a transformação do negócio ao longo das décadas.

Rodrigo Ruivo – João, sua família faz parte da história de Piedade. Como tudo começou?
João Alípio – Na verdade, tudo começou com meu avô Alípio. Ele comercializava com tropas de burro, ainda nos anos 50. A empresa como a gente conhece hoje existe desde 1954, mas nossa história vem de antes. Meu pai, João Alípio começou muito jovem com meu avô, trabalhando com batata. A cebola veio depois.

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Rodrigo – E houve um momento de dificuldade, quando seu avô faleceu, certo?
João – Sim. Em 1976, meu avô morreu e meu pai entrou numa depressão. Eu tinha só 11 anos. Ficamos parados por uns três anos. Depois, devagarzinho, voltamos. Meu pai retomou os trabalhos com muita dificuldade, e nós, filhos, fomos ajudando. Com o tempo, ele passou as rédeas pra mim e meus irmãos, Sérgio e Ney.

Rodrigo – Houve momentos em que vocês quase perderam tudo?
João – Em 1993, sim. Estávamos bem, vendíamos muito em São Paulo, mas uma crise nos fez vender quase tudo. Só não vendemos a terra. Recomeçamos do zero. E com fé em Deus, uns 10 ou 15 anos atrás conseguimos nos estabilizar. Hoje temos uma estrutura forte, mas nunca esquecemos de onde viemos.

Rodrigo – Qual é a importância de Piedade nesse processo todo?
João – Piedade é tudo. Foi aqui que começamos. Meu pai, inclusive, foi cinco vezes vereador e muito respeitado politicamente. A cidade viveu a era de ouro da cebola entre as décadas de 60 e 80. Mas com o tempo e a chegada das sementes híbridas e das importações, deixamos de ser a capital da cebola.

Rodrigo – Hoje, como vocês atuam?
João – Hoje somos mais comerciantes do que produtores. Plantamos pouco, só em parcerias. Compramos cebolas no Brasil inteiro, até na Argentina. A empresa cresceu, mas sempre lembramos que tudo se sustenta na união da família.

Rodrigo – Que mensagem você deixaria para os piedadenses nesses 185 anos da cidade?
João – Piedade é uma cidade abençoada. Temos clima bom, um povo trabalhador. Como empresário, vejo muitas oportunidades aqui. Mas é preciso modernização e dedicação. E mais que tudo, é preciso amar a cidade como eu amo. Tenho orgulho de ser de Piedade e carregar o nome do meu pai.

João Carlos e Jano Batista, conhecido como João Alípio, representa não só um nome de tradição, mas a força do trabalho familiar que ajudou a construir a identidade de Piedade.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação
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