A vida de Marcos Roberto de Oliveira, 51 anos, foi marcada por estradas, poeira, vento no rosto e o brilho nos olhos de quem nunca abriu mão da liberdade. Ele tinha um sonho maior que todos: subir em sua moto e atravessar fronteiras até chegar aos Estados Unidos, explorando cada quilômetro como se fosse uma nova descoberta. Não chegou a realizar esse último desejo — partiu antes de traçar esse destino. Mas, de certa forma, pegou a estrada definitiva, aquela que um dia todos nós também iremos percorrer.
Marcos não viveu pela metade. Viajou duas vezes ao deserto do Atacama, enfrentou o silêncio imenso das dunas, conheceu o Salar, aquele mar branco sem fim que reflete o céu. Também rumou à Argentina ao lado dos três filhos, deixando para eles não apenas lembranças, mas a herança de uma vida feita de aventuras, coragem e amor.
Cada viagem foi mais que um trajeto; foi um manifesto de que a vida deve ser sentida com intensidade. Marcos viveu assim: no ronco do motor, na estrada que se abria diante dele, na alegria de quem escolheu ser livre.
Não será lembrado pela estrada que não percorreu, mas pelas inúmeras que atravessou com alma, deixando marcas nos lugares por onde passou e nos corações que ficam.
Descanse em paz, Marcos. Que os bons ventos guiem a sua viagem infinita.
Mateus Capivara.
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