Em 1987, quando exercia o cargo de vereador na Câmara Municipal de Piedade, a Casa da Cultura encontrava-se em estado crítico de conservação. A estrutura do prédio estava comprometida, com paredes deterioradas a ponto de representar risco para as pessoas que ali transitavam.
Naquele período, recebemos um Projeto de Lei, de autoria do Executivo e encaminhado pelo saudoso prefeito Artur Hess, solicitando ao Legislativo autorização para a demolição do prédio. Diante dessa proposta, iniciei uma pesquisa sobre a história do edifício e constatei sua importância histórica e cultural para o município. Fui então falar com o prefeito visando à restauração do prédio.
A princípio, como engenheiro, fiz um levantamento das condições do prédio, analisando as estruturas das fundações, paredes, telhados, janelas e portas. Calculamos os materiais e a mão de obra necessários para a restauração. Levei ao prefeito todas as necessidades para as devidas correções e segurança do prédio. De pronto, o prefeito se comprometeu a fornecer, através da prefeitura, a mão de obra.
Como as paredes do andar térreo foram construídas em taipa de pilão (técnica que consiste na compactação de camadas de terra úmida dentro de moldes monolíticos), com o passar do tempo e devido à umidade, as paredes inferiores começaram a se desfazer. A solução mais viável em termos de segurança seria a utilização de solo-cimento, um material composto por solo arenoso estabilizado com cimento.
Faltava então o transporte do solo arenoso proveniente do bairro do Jurupará e o cimento a ser utilizado. O transporte do solo foi fornecido pela prefeitura e, quanto ao cimento, conseguimos uma doação do Dr. Antônio Ermírio de Moraes, através do Rotary Clube de Piedade. Precisávamos de formas para moldar as paredes com solo-cimento e, na época, havia chapas metálicas usadas, retiradas da sinalização rodoviária, no DER, que foram adaptadas para servirem como formas para restaurar as paredes.
Começamos inicialmente refazendo as paredes, garantindo a estrutura do prédio. Após deixá-lo em segurança, o prefeito retirou o Projeto de Lei da Câmara e deu todo o apoio necessário à continuidade da restauração, fornecendo as madeiras para os pisos e telhado, também as telhas. Ainda faltava a pintura, momento em que o Rotary Clube se fez outra vez presente, solicitando a doação de tintas à empresa Suvinil, que atendeu ao pedido.
Graças às parcerias, foi possível devolver à sociedade piedadense uma obra que representa a arte, a cultura, a raiz e a tradição do nosso povo. Sinto-me gratificado pela oportunidade de ter feito parte desse evento tão importante para a nossa querida cidade.
Não poderia deixar de expressar minha gratidão pelo trabalho e doações de todos os participantes: Prefeitura Municipal de Piedade, na pessoa do prefeito Artur Hess; Rotary Clube de Piedade e nossos companheiros; a empresa Votorantim na pessoa do querido Antônio Ermírio de Moraes; empresa Suvinil; Departamento de Estradas de Rodagem (DER); e os funcionários da prefeitura, que trabalharam com dedicação nesta obra.
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